Prevenção da Gripe

A - Lavagem das mãos 
         Nenhuma medida isolada é capaz de controlar uma epidemia de gripe ou impedir completamente a contaminação de uma pessoa. Mas uma das medidas isolada de maior impacto na prevenção da gripe é sem dúvida a lavagem frequente das mãos. Ela impede a chamada contaminação "mucosa-mão-mão-mucosa", ou seja, o indivíduo contaminado passa a mão nos olhos, boca ou nariz (ou espirra ou tosse na mão), em seguida toca ou cumprimenta a mão de outra pessoa que então leva a própria mão aos olhos, boca ou nariz e assim se contamina. A lavagem das mãos por parte tanto da pessoa contaminada quanto da pessoa que vai se contaminar quebram esse ciclo.
         A lavagem das mãos deve ser feita com grande frequencia, mas principalmente após o contato direto (toque) com outras pessoas (e antes de levar as próprias mãos ao rosto) e antes de se alimentar.

Também devido ao mecanismo de transmissão explicado acima, é altamente recomendado que as pessoas evitem espirrar ou tossir diretamente nas mãos, devendo fazê-lo no braço próximo ao cotovelo (veja o vídeo abaixo).


A.1. - Como lavar as mãos 
  • Lave as mãos com água e sabão.
  • Procure lavar as mãos por pelo menos 30 segundos.
  • Lave as costas das mãos, as palmas e a base do polegar.
  • Lave a ponta dos dedos.
  • Em locais públicos, nunca enxugue as mãos em toalhas de pano.
Ao terminar, não feche a torneira de imediato. Pegue o papel toalha, enxugue as mãos com ele e use-o também para fechar a torneira e, se possível, para abrir a maçaneta da porta do banheiro, só então jogando-o fora.

    A.2. - Álcool Gel X Água e Sabão
              A lavagem das mãos com água e sabão é mais eficiente na prevenção da gripe que o uso do álcool gel. Sempre que possível, deve-se dar preferência para a lavagem das mãos. Na impossibilidade de se lavar as mãos, utiliza-se o álcool gel.
              O importante no uso do álcool gel não é apenas aplicá-lo sobre a pele. Ele só tem poder germicida quando friccionado. A fricção de uma mão na outra é portanto fundamental.
              Não se deve utilizar o álcool gel mais de 3 vezes seguidas sem lavar as mãos com água e sabão, pois ele passa a criar uma película na pele que acaba facilitando a aderência de partículas de poeira (que podem carregar vírus).
              O álcool líquido também pode ser usado (embora resseque muito a pele), tendo as mesmas recomendações que para o álcool gel. Deve-se dar preferência ao álcool de teor menor de 70%, pois o álcool 90% evapora com muita rapidez, antes mesmo de ter efeito germicida.
    B - O uso de máscaras
             O uso de máscaras ajuda a diminuir significativamente a transmissão dos vírus da gripe e é recomendado em algumas situações 29 . Isso não significa que deva ser feito de forma indiscriminada.
    O uso de máscaras deve sempre ser acompanhado de outras medidas de prevenção, como lavar as mãos e evitar a exposição a pessoas com sintomas gripais.
    Situação 1: Eu estou com sintomas de gripe. Devo usar máscara quando for sair ?
             O ideal é que quem esteja com síndrome gripal evite ao máximo locais públicos, principalmente os de grandes aglomerações. Se for necessário sair (como ir ao médico, por exemplo), definitivamente sim, a pessoa deve usar máscara. O uso da máscara pela pessoa com síndrome gripal é mais importante na prevenção da transmissão que o uso da máscara por pessoas sem gripe em contato com pessoas com gripe.
    Situação 2: Eu estou com sintomas de gripe. Devo usar máscara em casa ? O tempo todo ?
             É desconfortável e não é obrigatório, mas a resposta é sim. Idealmente sim. Se a pessoa está com síndrome gripal é recomendável o uso de máscara sempre que estiver em local fechado, mesmo em casa, para evitar a contaminação dos demais moradores ou visitantes.
    Situação 3: Eu não estou com gripe mas quero me proteger. Devo usar máscara quando for sair na rua ?
             A regra geral é que está recomendado o uso de máscara para qualquer pessoa que vá ter contato próximo (menos de 1 metro de distância) de qualquer pessoa que esteja com gripe.
             O problema, obviamente, é que se não temos como saber quem está com gripe. De modo geral, deve-se assumir que quem está gripado está em casa de repouso, mas sabemos que nem sempre é assim...
             No caso da rua, não existe nenhuma prova científica que o uso de máscara em ambientes abertos seja capaz de diminuir a transmissão da doença. Portanto, para andar na rua não, não adianta usar máscara.
             Já nos transportes públicos (ônibus, metrô) o uso da máscara se justificaria, pois geralmente são locais em que a proximidade com os outros passageiros é inevitável. O problema é que os demais passageiros podem considerar a sua medida como um indício de que você esteja gripado, podendo causar alguns inconvenientes e questionamentos a respeito (o que não necessariamente precisa ser levado em conta).
             No trabalho (escritórios, por exemplo) e na escola, em teoria aqueles que apresentam sintomas de gripe são afastados. O uso de máscara de forma permanente nesses ambientes pode criar uma atmosfera desagradável e ser contra-producente. Nesses casos, a recomendação é para usar a máscara apenas se houver alguma pessoa com quem temos contato próximo e da qual suspeitamos estar com sintomas de gripe, antes da confirmação ou do seu afastamento.
             Em trabalhos em que se tem contato próximo (menos de 1 metro de distância) e muito frequente com o público em geral (recepcionista de grandes estabelecimentos, caixa de banco, etc) está recomendado o uso de máscara pelo alto risco de contato com pessoas gripadas. No caso de vendedores de loja, aplica-se a mesma situação dos transportes públicos, pois o uso de máscara pode causar situações constrangedoras com os clientes (o que não necessariamente precisa ser levado em conta).
    Situação 4: Eu não sei se estou com gripe, mas acordei hoje com febre e dor de cabeça e estou indo ao médico ver o que é. Devo usar máscara ?
             Definitivamente sim. Estamos no meio de uma epidemia de gripe e se você teve febre e qualquer outro sintoma é suspeito de estar gripado. O ideal é que se possível já saia de casa nesse dia usando máscara. Se você não tiver acesso a uma, dirija-se imediatamente a um serviço médico e, assim que chegar (não espere a sua vez de ser atendido), solicite uma máscara ao atendente.
    Situação 5: Eu sou um profissional de saúde. Devo usar máscara o tempo todo no trabalho ?
             Definitivamente sim. Os profissionais de saúde devem trabalhar o tempo todo de máscara enquanto durar a epidemia de gripe.
    B.1. - O tipo de máscara
             A máscara a ser usada é a máscara cirúrgica comum. Não existem provas de que o uso de uma máscara de alta filtragem de partículas (como as do tipo N95, que filtram 95% das partículas acima de 0,3 micron) seja mais eficiente na prevenção da gripe que o uso de máscara comum.

    Mascára cirúrgica comum, máscara N95 e máscara bico de pato.
    B.2. - Como usar a máscara
             A máscara deve necessariamente cobrir boca e nariz. Se a pessoa abaixa ou levanta a máscara na hora de tossir ou espirrar, obviamente ela não está servindo para nada. Se a pessoa abaixa ou levanta a máscara para coçar o nariz ou a boca, deve reposicionar a máscara em seguida e lavar de imediato as mãos.
    B.3. - Quando e como trocar a máscara
             A máscara deve ser trocada toda vez que ficar úmida. Na prática a cada três a quatro horas. Isso significa que a pessoa deve ter um estoque de 5 ou 6 máscaras cirúrgicas para usar todo dia. Usar a mesma máscara o dia inteiro não ajuda na prevenção da transmissão da gripe e pode inclusive facilitá-la.
             A máscara cirúrgica é descartável e nunca deve ser reaproveitada. Ao ser retirada, deve ser prontamente descartada no lixo e a pessoa deve lavar as mãos imediatamente após removê-las.
    Usada incorretamente, a máscara pode aumentar ao invés de diminuir as chances de contaminação, pois funciona como um reservatório do vírus.
    C - Vitamina C
             Depois de muitos anos em que a comunidade científica encarou o uso de Vitamina C nas infecções respiratórias altas como crença popular, uma revisão sistemática da base de dados Cochrane lançou recentemente alguma credibilidade ao velho tratamento. 30
             Segundo a revisão, realmente não há nenhuma evidência convincente de que a Vitamina C proporcione algum benefício ao paciente quando utilizada como tratamento (em pessoas que já estão gripadas), não demonstrando redução da severidade nem da duração das queixas.
             Há evidências razoáveis, contudo, que o uso profilático da Vitamina C poderia diminuir a duração dos sintomas uma vez a pessoa adquirindo a doença, mesmo não impedindo o seu surgimento. Esse uso profilático deve ser em doses altas, de pelo menos 6 gramas por dia em adultos e 4 gramas por dia em crianças, pois a proteção parece ser dose dependente. O mesmo estudo atesta a segurança do uso dessas doses, mesmo em crianças (em adultos já houve experimentos com até 100 gramas por dia de Vitamina C, sem efeitos adversos relatados).
    D - Quimioprofilaxia
             É o uso dos antivirais como forma de prevenir a gripe em pessoas que ainda não estão com a doença. Não confundir com tratamento de casos de gripe.
             Como regra geral, a quimioprofilaxia não é recomendada pelo mesmo motivo que não se recomenda o tratamento de casos de gripe não complicada: o risco de surgimento de resistência à droga é grande. Entretanto, há algumas exceções.
             Algumas das situações em que a OMS recomenda o uso profilático do oseltamivir não se aplicam ao Brasil, como epidemias em campos de refugiados ou cenários de desastres naturais. A única situação que se aplica aqui é a recomendação de profilaxia em pacientes com comorbidades graves após exposição à pessoa com suspeita ou diagnóstico confirmado de gripe.
             Em geral a quimioprofilaxia é reservada a pacientes imunossuprimidos ou com doença grave (pós-transplante, em quimioterapia, com SIDA, etc). Pacientes asmáticos, por exemplo, que foram expostos a alguém gripado, não têm indicação de quimioprofilaxia.
             Essa recomendação da OMS não é referendada pelo Ministério da Saúde, que só fala em profilaxia nos casos de contato de profissionais de saúde com secreções de pacientes com gripe sem a devida proteção. 21
             As dosagens para quimioprofilaxia são as seguintes:

    E - Vacina
    E.1. Vacina contra gripe comum ou sazonal
             A vacina contra a gripe é uma medida eficaz na prevenção da gripe sazonal ou comum, reduzindo o número de casos da doença. Ela deve ser preparada e aplicada anualmente com os sorotipos de vírus Influenza mais prevalentes em cada região.
             Quando há uma correlação entre os sorotipos da vacina e os sorotipos que estão em circulação em um determinado local, a vacina confere imunidade em até 80% dos casos. 3
             Existem dois tipos de vacina contra a gripe: a vacina com vírus inativo e a vacina com vírus atenuado. A vacina utilizada no Brasil é feita com vírus inativo e administrada por via intramuscular. A vacina com vírus atenuado é administrada por via intra-nasal (spray nasal) e pode causar sintomas gripais.
             A vacina utilizada no Brasil é feita com vírus inativo e NÃO pode causar gripe. 3 Pacientes que experimentam sintomas gripais dias ou semanas após terem sido vacinados provavelmente ficaram realmente gripados antes que a vacina pudesse lhes conferir imunidade, mas não por causa da vacina. É possível (embora pouco provável) que a vacina desencadeie uma resposta inflamatória que leve a sintomas sistêmicos como febre e mal estar. Todavia, vários estudos sobre a vacina concluíram que a chance do paciente apresentar febre, dores no corpo, dor de cabeça ou mal estar após a aplicação da vacina é a mesma que após a aplicação de uma injeção de placebo. 3
             A vacina contra gripe é recomendada a toda a população e deve ser aplicada anualmente, inclusive grávidas e crianças a partir de 6 meses.



    Vacina contra a gripe comum ou sazonal

    Vírus Inativado
    Vírus Atenuado
    Disponível no Brasil
    Sim
    Não
    Via de administração
    Intramuscular
    Intranasal (Spray nasal)
    Tipos de vírus contra os quais  protege
    Influenza A (H1N1), Influenza A (H3N1) e Influenza B
    Não protege contra o sorotipo de H1N1 que está causando a atual pandemia.
    Influenza A (H1N1), Influenza A (H3N1) e Influenza B
    Não protege contra o sorotipo de H1N1 que está causando a atual pandemia.
    Periodicidade da aplicação
    Anual
    Anual
    Pode ser aplicado em crianças?
    Sim, a partir de 6 meses, sendo que a primeira aplicação, quando feita em crianças entre 6 meses e 8 anos, deve ser dupla, com intervalo de 4 semanas entre elas.
    Sim, mas só a partir de 2 anos, também com aplicação dupla com intervalo de 4 semanas para a primeira aplicação em crianças entre 2 - 8 anos.
    Pode ser administrada em pessoas com doenças que podem ser agravadas pela gripe (como asma, doenças cardíacas, etc) ?
    Sim, não só pode como deve.
    Não.
    Pode ser administrada em crianças com asma ?
    Sim, não só pode como deve.
    Não.
    Pode ser administrada em contactantes de pessoas imunossuprimidas?
    Sim, não só pode como deve.
    Depende, avaliação caso a caso.
    Pode ser administrada simultaneamente com outras vacinas?
    Sim, como regra geral a vacina inativa pode ser administrada concomitantemente com outras vacinas vivas ou inativas.
    Não, como regra geral, espaçar 4 semanas de outra vacina de micro-organismos vivos.
    Pode ser aplicada em grávidas ?
    Sim, o American College of Obstetricians and Gynecologists e a American Academy of Family Physicians recomendam a aplicação da vacina em toda mulher gestante ou que pretende engravidar, em qualquer trimestre da gestação.
    Não


    E.2. Vacina contra gripe H1N1 (atual pandemia)
             Infelizmente, a vacina preparada para utilização esse ano contra gripe sazonal ou comum não protege contra o subtipo H1N1 que está causando a atual pandemia. 31
             Uma nova vacina já está sendo preparada especificamente contra o sorotipo de H1N1 que está causando a atual epidemia, 18 mas é provável que a sua produção em larga escala e chegada ao Brasil só aconteça no começo do ano que vem, quando a epidemia já estará em sua fase de declínio.
             A contaminação pelo vírus H1N1 confere resistência a ele na maioria dos casos. Raramente uma pessoa ficará gripada duas vezes pelo mesmo sorotipo de vírus. Por isso a medida que o vírus se espalha na população, surge uma imunidade natural a ele que dificulta cada vez mais sua propagação, contribuindo para o declínio da epidemia.
             Pelo mesmo motivo é muito pouco provável que no ano seguinte tenhamos uma nova pandemia global de gripe, pois mesmo que este atual sorotipo sofra mutações, não se tratará de um sorotipo tão diferente a ponto de não haver nenhuma imunidade contra ele.
             Mesmo assim, atual pandemia ainda pode se estender por vários meses, atingindo regiões ainda não tenha chegado e a vacinação é importante para reduzir o número de casos e com isso salvar vidas. É inclusive esperado um novo pico de casos para as próximas semanas.
             Uma vez disponível, ela é recomendada para toda a população acima de 6 meses de idade.
             Como se espera uma corrida muito grande pela vacina assim que ela estiver disponível, a OMS recomenda prioridade para alguns grupos  18 :
    • Grávidas.
    • Profissionais da área de saúde.
    • Pessoas que moram com crianças com menos de 6 meses de idade.
    • Crianças e adultos jovens, de 6 meses a 24 anos.
    • Pessoas entre 24 anos e 64 anos que tenham comorbidades que possam apresentar complicações por conta da gripe (asmáticos, doenças cardiovasculares, diabéticos, imunossuprimidos ou qualquer doença crônica de maior gravidade).
             Apesar da população acima de 65 anos ser considerada um grupo de risco para surgimento de complicações quando estão com gripe, sendo o tratamento com antivirais recomendado, a OMS considerou que o impacto da vacinação nessa faixa etária será menor que dentre os jovens, pois estudos recentes mostram que cerca de 1/3 dos idosos apresentam algum tipo de imunidade contra o novo sorotipo H1N1, comparados a cerca de 5% na população jovem. Por isso, havendo necessidade de priorizar a vacinação, a população mais jovem deve ser priorizada, embora a recomendação seja a vacinação de toda a população.18

    Um comentário:

    1. oi! eu deixei o vicio de medicamento de vaso dilatadores. pois tava de saco cheio de ter rinite medicamentosa
      atualmente uso só soro fisiológico. tá sendo ótimo
      mas porem aconteçe algo bizarro, ora uma narina fica meia fechadinha e a outra abre inteira e então chega uma hora que a fechadinha abre inteira e passa pra outro lado!
      que raios é isso?

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