Por que não fiz o teste para saber se estava com gripe suína?

Olha que absurdo: Estava com sintomas de gripe, fui ao médico e ele só fez me dar uma receita de Paracetamol e me mandou para casa! Nem fez um exame de sangue para saber se estava com Gripe Suína ou não!


         Em linhas gerais, a conduta do médico está correta. Faltou apenas explicar ao paciente porque não foi pedido um exame de sangue, para que ele não saísse do consultório médico tão revoltado, achando que foi mal atendido.
         De forma direta, não foi pedido o exame de sangue para diagnóstico de gripe H1N1 por dois motivos:
1) Do ponto de vista do paciente, não ia fazer diferença.
2) Provavelmente É gripe H1N1.

         Então vamos explicar:
        O exame de sangue para identificação do vírus da Influenza e de seu subtipo não deve ser pedido em todos os casos por vários motivos:

  • Em primeiro lugar porque já estamos vivendo uma epidemia de gripe pelo subtipo H1N1, com transmissão sustentada do vírus no Brasil. Se o paciente está com sintomas gripais e quer saber se está com gripe suína a resposta correta é "muito provavelmente sim", uma vez que mais de 80% dos quadros de gripe e mais de 70% das infecções de vias aéreas superiores no momento são gripe suína.
  • Depois que o paciente se recompor do susto, é hora de explicá-lo que estar com gripe suína não significa estar com uma doença grave. Que a gripe suína, ou Gripe A, ou Gripe H1N1, tem a mesma gravidade da gripe comum. A nova gripe NÃO É mais grave que a gripe comum. Ela pode complicar tanto quanto uma gripe comum. Ela mata tanto quanto uma gripe comum. Assim como na gripe comum, se alguém está com a nova gripe, é altamente provável que fique gripado por cerca de uma semana e depois fique bom assim como acontece em qualquer gripe. Uma minoria (menos de 1%) apresenta alguma complicação (novamente: que pode ocorrer tanto na gripe comum quanto na H1N1). Enfim, desfazer a falsa impressão que a mídia ajudou a espalhar.
  • Em segundo lugar, porque, o que vai ditar se há necessidade de um tratamento diferenciado (além das medicações sintomáticas de praxe), como, por exemplo, a prescrição do Tamiflu, ou uma internação, não é o resultado do exame, mas sim os sintomas que o paciente apresenta, seja gripe suína ou gripe comum. Se o paciente estiver, por exemplo, com gripe e falta de ar, independente de ser ou não gripe suína ele será tratado com antiviral e pode vir a ser internado. O diagnóstico laboratorial só é importante do ponto de vista de saúde pública, para traçar um perfil da epidemia, não para o paciente individualmente.

         O exame de sangue para diagnóstico laboratorial de gripe deve ser pedido pelo médico em duas situações 21 :

1) Nos casos de gripe complicada, que o Ministério da Saúde chama de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que é a gripe com sinais de comprometimento das vias aéreas inferiores (caracterizado clinicamente pela dispneia).
2) Nos casos de surto, caracterizado por 3 ou mais casos de síndrome gripal em ambientes relativamente fechados ou restritos, como escolas, asilos, unidades prisionais, quartéis, etc. O dia do início dos sintomas de cada caso não podem estar separados por mais que 5 dias entre eles.
         Como já mencionamos, em ambos os casos a confirmação laboratorial tem importância epidemiológica e não interfere no tratamento de cada paciente.
         Nos casos de surto confirmados laboratorialmente está recomendado o cancelamento das atividades naquele ambiente (se for uma escola por exemplo, suspender as aulas daquela turma) por 7 dias, para evitar que o surto se espalhe.


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